Segurança Psicológica no Trabalho – o que significa e qual a sua importância?
Mariana Fernandes
A TEAM 24 Responde...
Joel Teixeira
Psicólogo TEAM 24 · 10 de novembro de 2023
Assinalou-se, na semana de 6 a 10 de novembro de 2023, a semana da Qualidade, tendo como objetivo destacar a importância da qualidade na produtividade e na competitividade das organizações, mas também refletir nas melhores práticas.
Este ano, a Semana da Qualidade foi celebrada sob o lema "Qualidade: realizando seu potencial competitivo". O potencial competitivo de uma organização consiste na capacidade de se manter sustentável e ampliar o seu mercado. Assim, torna-se essencial entender que só é possível ampliar o potencial competitivo de uma organização através do bem-estar dos seus colaboradores, tendo em vista a melhoria do produto final para os seus clientes.
Defina-se “qualidade” como a totalidade de características de um produto ou serviço que possuem a capacidade de satisfazer uma certa necessidade de um determinado cliente.
Qualidade é mais do que apenas uma palavra da moda, é sim um diferencial competitivo no atual cenário de mercado em constante evolução. Da produção aos serviços, a gestão da qualidade ajuda as organizações a racionalizar os seus processos, aumentar a satisfação do cliente e impulsionar o crescimento sustentável.
Em qualquer setor de atividade existem diversos fatores a influenciar diretamente a definição de “qualidade”, como a cultura, o serviço prestado, as necessidades dos consumidores e as suas expectativas. No entanto, a qualidade final só poderá ser obtida não só através do “Sistema de Gestão da Qualidade” que visa um conjunto de elementos interligados, integrados na organização de uma empresa para atender à política da qualidade e os objetivos da organização, mas também que os colaboradores se sintam parte dela, aumentando o seu sentimento de pertença.
Simplificando, o bem-estar está orientado para oferecer aos colaboradores condições de trabalho que lhes permitam estar de tal forma envolvidos com a organização e com os papéis que desempenham. É uma conjuntura de atividades oferecida pelas organizações que proporcionam emoções positivas aos seus colaboradores sempre que eles pensam nas atividades que exercem no seu contexto laboral. Só conseguimos alcançar a qualidade com o envolvimento de toda a estrutura organizacional.
Na conjuntura atual das organizações é imprescindível melhorar as práticas na gestão das pessoas, uma vez que o salário já não é a principal dimensão na retenção dos seus colaboradores e do seu potencial.
O bem-estar dos colaboradores no local de trabalho está intimamente ligado à gestão dos riscos psicossociais, sendo que avaliar e abordar os riscos psicossociais nas organizações não só prioriza a saúde e o bem-estar, como acarreta vantagens para as entidades empregadoras, nomeadamente na redução do absentismo e presentismo, no aumento da motivação, produtividade e na melhoria da imagem organizacional.
Os riscos psicossociais são uma das categorias de riscos profissionais e correspondem aos aspetos da organização e da gestão do trabalho, dos contextos sociais e ambientais relativos ao trabalho que têm potenciais efeitos negativos do ponto de vista psicossocial. Em termos gerais, é possível enumerar o stresse ocupacional, o assédio moral, a violência no trabalho, o burnout, a carga mental no trabalho, assim como o trabalho emocional.
Com a abordagem correta, os riscos psicossociais podem ser prevenidos e geridos com sucesso, independentemente da dimensão ou tipo de organização. A prevenção destes riscos constitui não só uma obrigação moral, mas também um bom investimento para as entidades empregadoras. Além da responsabilidade legal das organizações em assegurar a avaliação e o controlo adequados dos riscos no local de trabalho, é essencial garantir também o envolvimento dos colaboradores, pois são estes que têm uma melhor perceção dos problemas que podem ocorrer no local de trabalho.
As constantes evoluções no mundo do trabalho levaram à emergência de novos riscos ocupacionais para o trabalhador, como é o exemplo dos riscos psicossociais. A avaliação de riscos psicossociais e o desenvolvimento de intervenções personalizadas às necessidades específicas de cada organização promovem um local de trabalho feliz, na medida em que promovem o bem-estar de todos os colaboradores.
Assim, só podemos pensar em qualidade quando temos colaboradores saudáveis, felizes e interligados à cultura da organização, pois locais de trabalho saudáveis promovem a qualidade organizacional.
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